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31/05/2019

A corrupção dentro da sociedade (mea culpa?)

A corrupção é um emaranhado tão arraigado na sociedade brasileira, que é uma tarefa
herculana tentar descobrir sua origem e quais são todos os estágios por onde passa.
 
Isto é muito em função da dissimulação e acobertamento dos seus feitores.
 
Está diretamente atrelada aos valores do indivíduo (visto como membro da sociedade),
apreciado de maneira egocêntrica – aquele que deseja ter, possuir, ostentar bens materiais
opulentos - tidos como preciosidades, relacionados intrinsicamente com poder (status) social.
 
Desde este ponto de vista, extrai-se a visão da inversão de valores, pois quem assim
pensa, aceita tacitamente a possibilidade de que “tudo pode ser vendido, e tudo pode ser
comprado”. Logo, consequentemente obtemos uma fonte todo-poderosa, criadora de
corrupção em diferentes escalas.
 
De outro prisma, existe a cumplicidade, e/ou, no mínimo, a aceitação destas condutas
por parte das pessoas próximas do corruptos e corruptores. O fim justifica os meios? Se me
beneficia... Não aparecem na mídia familiares diretos de presos de colarinho branco dizendo
“ele/a errou”, ou “desaprovo a conduta por ele/a adotada”, e muito menos, “toda vantagem
adquirida de forma ilegal será devolvida”.
 
Este tipo de conduta dos indivíduos mais próximos dos corruptos, retroalimenta essa
relação, e faz estes acreditar (equivocadamente) que as condutas ilegais e imorais adotadas,
justificam-se em prol da benesse financeira que aqueles logram receber. “Faço tudo pela
minha família” O que significa tudo nesse caso?
 
Lamentavelmente, não existe uma formula pronta e acabada para combater ou
extinguir estas condutas sociais.
 
Não se tem dó do alheio, e muito menos da coisa pública. Não se pensa na
coletividade ou se tem o ideal do bem-estar geral.
 
O individualismo supracitado obnubila o zelo que deve existir com as normas, com o
público ou com o de outrem. Como consequência obtemos condutas calculistas e
transgressoras de todos os princípios de convívio social harmônico. Através de ações veladas
(e algumas nem tanto) se desvia, corrompe, rouba, tira, usurpa, apropria de bens públicos, ou
de dinheiro privado com o objetivo de obter vantagem que surge do munus público.
 
Todavia pior es a corrupção posta e aceita socialmente: a que vai de baixo para cima,
aquela que emana do povo, igual que os representantes escolhidos em eleições. A pequena
que diuturnamente convive com nós. A do filho do vizinho, do colega do trabalho, ou até
mesmo a nossa. E é esta a que sustenta as outras, pois a aceitamos, ignoramos, ou pior ainda,
não a classificamos como corrupção. Eis ali que mora o grande perigo da internalização
cultural.
 
Será isto tudo consequência da procura pela pureza do direito? Porque o jurista
positivista Hans Kelsen elevou o Direito ao patamar da ciência quando o chamou de “puro”,
ou seja, o afastou da religião, da ética e da moral. Será que ficou tão puro que essa peneira
axiológica permitiu que seus operadores e os cidadãos “súditos” das normas se sintam tão
além dos valores subjetivos do bem, do justo e do ético, que o que sobrou foi amoralidade e
corrupção?
 
 
 
Jamila Wisóski Moysés Etchezar
Nelson Gabriel Etchezar